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quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Falcão


Amigos leirores,
Mais um texto, enviado pela nossa querida colaboradora Ariane Porter, que mesmo longe de nossa querida Barra Mansa vem mostrando que o amor por nossa cidade está muito acima da distância física.

Ariane, muito obrigado pelas grandes contribuições!
 
Por Ariane Porter

Queridos amigos do Blog, aqui segue mais um texto escrito por meu pai.
Ele nasceu em Falcão na época em que aquele distrito fazia parte de Barra Mansa. Hoje em dia Falcão ainda é um distrito, mas faz parte de Quatis.
O tempo passa e muitas coisas mudam, mas o amor que a gente sente pelo lugar em que nascemos continua... Sempre.

FALCAO

Por Dr. Jose Carlos Franco Faria

Sentinela da divisa
Distrito policial
Controlador migratório
aconchegante arraial

Subida para nos da Mantiqueira
descida para os mineiros
nunca foi uma barreira
só controlava os Tropeiros

Caminho certo do mar
muita alegria, esperança
lugar calmo, bom descanso
na busca de Barra Mansa

E quando se chega ali
alivio no coração
é só calcar a botina
é feito ter pé no chão

Santa Barbara do Monte Verde
Conceição do Ibitipoca
Sant’Anna do Garambeu
é gente feito pipoca

De Andrelandia e Bocaina
Santa Rita do Jacutinga
de Carvalhos e Ayuruoca
Bom Jardim e Arantina

São sempre bem recebidos
naquele humilde Falcão
abraçamos todos eles
como se abraça um irmão

Atravessando o Rio Preto
começa a modernidade
e nasce naturalmente
uma nova liberdade

"Libertas quae sera tamen"
matou o herói Tiradentes
mas de Falcão para cá
todos são livres, são gente.

Barra Mansa, 13 de abril de 2007

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

ALGUNS EPISÓDIOS DA VIDA PÚBLICA


Amigos leitores,

É com muito prazer que hoje publicamos esta maravilhosa contribuição de nossa querida leitora Jane Chiesse Zandonade  um belo texto contando alguns casos de nossa cidade. Vale a pena conhecer estas histórias.

Muito obrigado Jane!
 

Por Jane Chiesse Zandonade
 






Bom dia!

Envio, para registro, alguns 'casos' interessantes acontecidos na gestão de meu pai na Prefeitura.
É muito bom deixar estas coisas registradas.
Obrigada........Abraço........Jane Chiesse Zandonade

ALGUNS EPISÓDIOS DA VIDA PÚBLICA

João Chiesse Filho, meu pai, foi prefeito de Barra Mansa no final da década de 50, e teve episódios na vida realmente interessantes. Suas ‘tiradas’ bem-humoradas renderam algumas risadas que até hoje são lembradas. Gosto particularmente de três delas.

A primeira:
Os antigos diziam que se há nuvens escuras na direção de Bananal, é chuva na certa. Pois em uma excursão à Europa em que mamãe e papai participaram, alguém do grupo perguntou, em plena praça parisiense: “Será que vai chover?”, ao que meu pai respondeu: “Olhe pros lados de Bananal”. Os barramansenses do grupo riram... mas os outros ficaram 'boiando'...

A segunda:
Esta não é politicamente correta, e hoje seria impossível um homem público fazer tal comentário; mas que é engraçado, lá isso é. Numa bela manhã, ao chegar à prefeitura, um representante de um loteamento distante já estava esperando para reclamar da falta de água etc. do local onde residia. A resposta: “Quer viver melhor? É só mudar pro centro da cidade, ora.” Risada geral no gabinete, para constrangimento do pobre cidadão.

A terceira:
Esta é a melhor, e reflete a intuição aguda que ele tinha.
Naquele tempo os prefeitos precisavam ir a Palácio do governo estadual para receber os impostos municipais, pois tudo era mais centralizado do que hoje. Pois para lá foram para o Palácio do Catete, agendado o compromisso: meu pai, quer dizer, o prefeito, e mais dois vereadores e o advogado da prefeitura, que era o dr. Luiz Carlos Miranda, no carro oficial da prefeitura, preto – sempre preto – e com chapa branca. Chapa oficial.
Enquanto papai e os vereadores esperavam ser atendidos (a coisa era demorada), dr. Miranda foi incumbido de ir a algum teatro comprar ingressos para uma peça, pois já que estavam no Rio, aproveitariam a noite. Miranda foi com o carro da prefeitura.
Depois de um tempo volta ele, apavorado e em pânico, tremendo como vara verde, dizendo que o carro da prefeitura fora roubado enquanto ele comprava os ingressos. Papai pediu calma. “Calma, Miranda”, disse ele, “eu sei onde está o carro.” Miranda não se conformou. “Como assim, João? Sabe nada, vamos dar parte do roubo!”
Papai não se abalou. E ainda insistiu: “Comprou os ingressos? Pois vamos ao teatro e depois vamos pegar o carro.” E assim fizeram, para desespero dos outros homens públicos. Foram ao teatro.
Altas horas da noite, terminada a peça, papai, muito calmo, disse: ”Agora vamos pegar o carro.” Entraram num táxi e papai deu o endereço ao motorista: “Toca pra rua São José.”
Para quem não sabe, a rua São José, no Rio de Janeiro, hoje não tem permissão de trânsito para automóveis, mas naquele tempo tinha. E era uma das ruas mais movimentadas do Rio, com um comércio fervilhante,e abarrotada de pedestres. Mas como em todo o centro do Rio, à noite a rua fica deserta.
Então ‘tocaram’ para a rua São José. Todos com o coração na garganta. Chegando na rua, estava lá, paradinho, sem um arranhãozinho, lá, na rua São José, o único carro na rua deserta: o carro da prefeitura.
O Miranda nunca acreditou que o papai não sabia onde estava o carro. Mas ele não sabia mesmo! Eu perguntei.
Papai me explicou o raciocínio dele: quem pegasse um carro de chapa branca só o pegaria para “dar uma voltinha” e o abandonaria. Onde? Numa rua movimentada, ora. E qual a rua mais movimentada do Rio? A rua São José. Que à noite estaria deserta e o carro seria facilmente encontrado.
E assim foi...
Esta foi realmente muito boa.





segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Minha Cidade

Amigos leirores,
Hoje publicamos mais um lindo texto de um barramansense muito ilustre, enviado pela nossa querida colaboradora Ariane Porter, que mesmo longe de nossa querida Barra Mansa vem mostrando que o amor por nossa cidade está muito acima da distância física.

Ariane, muito obrigado pelas grandes contribuições!
 
Por Ariane Porter



Alguns dias atrás abri nosso querido blog e li o comentário do nosso amigo " Alexssandro F. Moreira" dizendo que normalmente as pessoas que mais reclamam, são as que menos contribuem para a mudança de uma situação...

Concordo com isso plenamente e não tenho muita paciência com pessoas assim. A vida é muito curta para se perder tempo só reclamando.

Eu prefiro ter Fe em mudanças e tentar achar uma maneira realista e positiva em consegui-las. 

Hoje, estou trazendo para vocês um texto de outro amigo da nossa cidade. Ele se chama  Sr Joaquim Mariano do Lago Leal, morador de BM ha muitos anos e presidente do Grêmio Barramansense de Letras (GREBAL). Ele escreveu essa crônica em 1975, por coincidência, o ano em que o Grebal foi fundado. Aqui ele fala na importância que a cultura tem em nossas vidas...
Fala também na importância de se sonhar e ter otimismo em ver os sonhos se tornarem realidade.
Fala em sua Fe em BM e em Barramansenses.
Eu também tenho essa Fe e otimismo... E gostaria de poder lembrar a todos esse nobre sentimento.
Acredito que "a grama do vizinho, não é mais verde do que a minha".
Acredito no progresso e evolução da minha cidade.

Ariane Faria Porter


 

MINHA CIDADE (Joaquim Mariano do Lago Leal)


Madrugada fria. A cerração abraçava o Parque Centenário, enlaçava toda a cidade com seus brancos tentáculos de neblina. A insônia queimava o cérebro de Zé Maria. Ele não conseguira dormir e vagava, divagando.

O Parque é um pedaço da floresta que cobria toda a região, ha quase 200 anos passados. A cidade é Barra Mansa, no Estado do Rio. O sono não vinha, trazia para Zé Maria fantasmas do passado, que emergiam do inconsciente. Como os restos de um naufrágio, que de vez em quando sobem do seu mundo submerso. E vinham a tona farrapos de sonetos, escritos ha muitos anos, naquele mesmo Parque; fragmentos de vivencia perdidas nas águas do tempo; restos de Saudade. Saudade da cidadezinha poética de outrora, que o progresso transformara na pujante Barra Mansa. Na princesa do Vale do Paraíba. Princesa que reina, com os poderosos cetros do seu Comercio e da sua Indústria, sobre toda uma região socioeconômica.

A nostalgia tomou conta do espírito do nosso herói. O casarão da Câmara, ao fundo, emergia da neblina, casando-se as arvore. Ele próprio, arvore frondosa, plantada em 1861. O casarão parecia olhar para Zé Maria, com as dezenas de olhos que são suas janelas. E falar de tudo que já presenciara, de todos que já abrigaram suas centenárias paredes.

  -Que bom, pensou Zé Maria, se pudéssemos conversar com os prédios
  antigos, como aquele da Câmara. Ou conversar com uma destas arvores,
  velhas de séculos, que tanta coisa presenciaram... O antigo prédio e
  as velhas arvores falariam então dos que chegaram para conquistar,
  para desbravar, para construir. Dos que dirigiram os destinos desta
  terra através dos tempos. De suas lutas, suas realizações, de seus
  sonhos. Por vezes não realizados, porque imensos são os obstáculos -
  mas sonhados. Dos que erigiram o edifício material de suas riquezas.
  De sua Pecuária, de sua produção leiteira, de sua Avicultura. Dos que
  fundaram suas Indústrias, desvirginando o ar das matas com o fumo
  colorido de suas chaminés. Indústrias que levam o nome de Barra Mansa
  e do Brasil aos quatro rincões do globo.

E nomes viriam do antigo prédio e das velhas arvores. Daquele, porque os abrigou; destas, porque os viram passar, ou quedaram-se aos seus pés, sonhando seus sonhos de grandeza e progresso. E se lembrariam do Barão de Aiuruoca, fundador do então Arraial de São Sebastião de Barra Mansa.
De Domingos Mariano, Joaquim Leite, Ponce de Leon, Andrade Figueira. De Lucien Regier, que fundou em Barra Mansa a primeira fabrica de pilhas elétricas do Brasil. De João Klotz, Levi Miranda, Camilo Metzer e muitos outros. Por certo falariam também daqueles que implantaram as redes de transportes, que hoje ligam Barra Mansa a todo o País. E daqueles que acenderam a luzerna do ensino em nossa terra, plantando escolas e faculdades como se plantam arvores. Louvariam os que, por iniciativa particular, construíram o magnífico Hospital da Santa Casa e erigiram o Lar dos Velhinhos, o Asilo das Órfãs e a Vila Vicentina. E em meio a tudo isso, não se esqueceriam, por certo, dos que alicerçaram as bases da cultura, no passado: Pedro Vaz, Henrique Zamith, Cardilo Filho, Christovam Rangel Leal e tantos outros... Porque NADA SE CONSTROI DE DURADOURO, SEM IDEALISMO E SEM CULTURA.

O PROGRESSO MATERIAL DEVE SER ALICERCADO NA EVOLUCAO E CULTURA DO ESPIRITO. Assomariam então a lembrança dos vultos religiosos: Padre Christiano, Padre Andre, pelo Catolicismo... Zico Horta, pelo Espiritismo. e tantos mais... Apóstolos da Fe. Por certo falariam também, com esperança neles e Fe no futuro, dos que hoje em dia lutam e sonham, nos diversos setores, pelo progresso e evolução de Barra Mansa.
Talvez falassem em Clecio Penedo, artista plástico que projetou o nome da cidade por todo Pais e ate no Exterior. E falassem desses mocos que, através da literatura e da arte e da ciência, lutam por melhores chances, na difusão da cultura em nossa cidade.



Joaquim Mariano do Lago Leal  1975


sexta-feira, 29 de julho de 2011

Distância

Amigos leirores,
Segue uma contribuição de nosso amigo e leitor Geraldo Camargo, citando um grande barramansense!
 
Obrigado Geraldo pela grande colaboração.



Por Geraldo Barcellos de Camargo Filho



Vamos falar de J. M. so Lago Leal.
Joaquim Mariano do Lago Leal, é filho de Barra Mansa, nascido em 25 de agosto de 1933.
Fundador e Membro Vitalicio Gremio Barramansense de Letras (GREBAL)
Suas Cronicas, Ensaios, Poesias e Contos, são verdadeiras obras vibrantes e de grande desenvoltura.
Abaixo uma de suas maravilhosas obras:


Distância

Jamais a madrugada de opalina
Verá do mar a líquida esmeralda
E a prata irisdescente, adamantina,
do orvalho da manhã que o Sol respalda.
A hora que se vai, a cada hora,
Não retorna jamais, em tempo algum.
O Crepúsculo existe e existe a Aurora,
No tempo, que separa um por um.
Jamais caminha a noite junto ao dia,
O tempo tem seu tempo e seu lugar,
Cada qual tem seu próprio caminhar.
Eis a distância que entre nós havia,
a separar-nos ontem como agora:
Eu sou o Entardecer - tu és a Aurora

segunda-feira, 18 de julho de 2011

UMA CENA QUE IMPRESSIONOU

Amigos leirores,
Segue mais uma valiosa contribuição de nossa amiga e leitora Ariane Porter.
 
Obrigado Ariane pela grande colaboração e mesmo estando longe nunca esquecendo de nossa querida Barra Mansa

 
Por Ariane Porter
 
 
 
Queridos amigos do blog'

Outro dia li um texto no blog "Estação Barra Mansa" sobre a vida de um senhor que trabalhava como porteiro no Clube Municipal. Foi muito interessante lembrar dessa pessoa que eu encontrava todas segundas e quartas na época em que jogava vôlei La no clube. Minha memória "trabalhou duro" tentando relembrar seu rosto... E não consegui. Lembro-me da pessoa, da figura, seu jeito de ser, o qual sempre foi muito educado comigo, mas foi impossível visualizar a face desse cidadão.

Depois desse exercício, parei e tentei lembrar de outras pessoas que fizeram parte da minha historia de BM, não só as figuras "ilustres e folclóricas", mas sim figuras que eu via sempre pela rua, as quais nem mesmo sei os seus nomes, mas me lembro muito bem das suas feições.
Vários rostos apareceram na minha mente, mas HOJE, hoje eu gostaria de falar sobre uma senhora em particular, uma senhora que não esta mais entre nos, mas acredito que muitos Barra-mansenses ainda se lembrem dela. Se nome era "Maria", Dona Maria, uma pessoa que eu nunca conheci pessoalmente, mas que passei por ela várias vezes pela rua e cada encontro deixou uma marca na minha memória. Lembro muito bem do seu rosto e por isto, resolvi trazer para vocês um texto que li ha algum tempo. A autora desse texto é a Senhora Natalia Therezinha de A. Faria, mas adoraria compartilhar o que ela escreveu com vocês. Eu sou apenas uma "PONTE", para trazer uma homenagem póstuma a essa Dona Maria em particular.



UMA CENA QUE IMPRESSIONOU (Natalia Therezinha de A. Faria)

Já faz algum tempo... Para dizer a verdade, nem sei quanto... Só sei que me impressionou e eu não consigo esquecer.

Numa manha de verão, apressada como sempre, tomei o ônibus da empresa Colitur, partindo da Santa Clara em direção a cidade, a fim de fazer algumas compras e voltar para preparar o almoço.

Desci a Mario Ramos, passei pela galeria Irmão Sales e fui ate a Joaquim Leite. De repente, meus ouvidos captaram o som angustiado de uma voz feminina que gritava, maldizia a vida e soltava inúmeros palavrões.
Assustada, parei para ver o que acontecia. E o que vi?

Uma figura estranha: baixinha, cabelos encaracolados, gordinha, pele clara mais envelhecida, vestido remendado, uma faixa vermelha na cintura, chinelos de borracha, um casaco de frio empoeirado e enfeitado por um enorme broche de plástico.

Com tanto calor que eu sentia, transpirando como que, fiquei admirada pela disposição da criatura em carregar um casaco tão pesado. Seria normal aquela vivente? Talvez não, nem sei... Olhando seu rosto envelhecido, mas todo rebocado de rouge vermelho, batom passado fora dos lábios e um pó que não combinava com a cor de sua pele, contatei que ela não "batia" bem. Era uma pobre vivente, que sem rumo certo na vida, transitava pela cidade, indo e vindo sem grandes perspectivas.

Coitada! Como gritava!

Um pouco adiante, alguns moleques riam da pobre mulher e repetiam
Incessantemente: "Maria Bacia"... "Maria Bacia"!...

A cada grito da molecada, a tal Maria repetia palavrões e atemorizava os que ao seu lado passavam. Cansada de brigar em vão, Maria pegou uma pedra e com muita raiva atirou-a a distancia, sem saber onde ia parar.
Por sorte, a pedra sem destino foi cercada pela copa de uma arvore da praça da matriz, e, temerosos, os moleques se evadiram para Rua São Sebastião, deixando Maria nervosa, mas, por alguns instantes, livre da perseguição do apelido que ela tanto detestava.

Foi ai que eu segui meu caminho, sentindo uma sensação diferente. O calor já não me impressionava mais. O que estava apertando em mim desta vez, eram os dois sentimentos opostos, observados na cena que eu acabara de presenciar: para uns rirem, alguém precisava chorar... Para felicidade de alguns, Maria precisava sofrer.

E nos, os expectadores, o que fizemos? Nada. Seguimos indiferentes os nossos caminhos, deixando Maria só e desamparada a espera de outros que dai a pouco deveriam passar por La e repetir o "Maria Bacia" que tanto a fazia sofrer.

Hoje, algum tempo depois, costumo fazer o mesmo trajeto de ônibus e no centro percorro as ruas de sempre. Os passantes La estão, a molecada também. Mas e Maria, o que foi feito dela?

Já não escuto seus gritos, nem deparo com aquela figura "esquisita", de trouxinha apertada contra os seios e pedriscos nas mãos. Porem, de Maria eu guardo uma lembrança estranha: mulher abandonada, ingênua, desbocada e solitária. Maria, simplesmente Maria, uma entre tantas, sem sobrenome, sozinha...sem ninguém.

Acredito eu, que Maria, aquela que ontem me impressionou, hoje, de algum lugar deve olhar penalizada para outras tantas "Marias" que aqui na Terra convivem com esta humanidade tão indiferente a dor alheia.

NATALIA THEREZINHA DE A. FARIA

 

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Lembranças

 
Amigos leirores,
Segue um lindo texto do nosso leitor Claudio Silva, declarando seu agradecimento ao BLOG AMAMOS BARRA MANSA, onde nós do Blog é que temos que agradecer pelas inumeras contribuições e palavras de carinho como a do Claudio.
Valeu Claudio!

Por Claudio Silva
Lembranças 
  
 
Barra Mansa escolheu a cor Azul, nao foi por acaso, e sim pelo seu povo, pois azul e lealdade confianca sabedoria. E voces ainda foram felizes em colocar a cor azul na igreja onde esta a eternidade, o na ponte onde esta a profundidade. Posso falar, posso contar historia, posso brincar pois sou como muitos outros Barramansense,cada um com suas lembracas, Mas quero dedicar a voces que criaram "Amamos Barra Mansa", uma gratidao dos parentes amigos, colegas daqueles, que jamais poderiam imaginar que um dia poderiam ser lembrados e relembrados atraves de tamanha tecnologia. Hoje quero dizer que tenho 64 anos bem vividos, sai de Barra Mansa, mais estou sempre ai e admiro estes jovens que ai estao dando segmento dos nossos avos, pais e de nos mesmos, quando ai chego sinto-me extranho mais feliz, por saber que eu fiz parte, dessa Barra Mansa. Ate breve.
 
Claudio Silva

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Quem foi o Barão de Ayuruoca?




Amigos leirores,
Segue mais uma valiosa contribuição de nossa amiga e leitora Ariane Porter, para conhecermos um pouco mais de nossa rica história.
 
Obrigado Ariane pela grande colaboração e mesmo estando longe nunca esquecendo de nossa querida Barra Mansa

 
Por Ariane Porter







Um pouquinho mais sobre a historia de Barra Mansa. Uau, um texto bem
longo... mas acho que vale a pena. Meus Amigos do blog, se vocês puderem dar uma revisada só para adicionar os "acentos" da língua Portuguesa, eu ficaria muito grata... não os tenho no meu lap top.

Abraços, Ariane :)



Quem foi o Barão de Ayuruoca?

Um bandeirante, um pioneiro e, mais que tudo, um autentico civilizador.
Na historia de Barra Mansa é difícil de se avaliar bem a atuação desta figura humana tão exponencial nesta região do Vale do Paraíba.

Sabemos que sua presença se estendeu por toda nossa região e, também Minas Gerais. Em Barra Mansa, apos sua morte, se cristalizou uma corrente de opiniões que o adotou como o fundador da cidade; pelo tempo afora isso foi ensinado e absorvido. A verdade histórica, entretanto,mostra que Barra Mansa surgiu de um aglomerado humano antes de 1800 e junto à foz do pequeno rio com este nome. Este riacho apareceu num mapa da Capitania do Rio de Janeiro, em 1767. Nesta Carta, ainda não aparecia o pequeno arraial, sinal de sua não existência, mas já se notava nela a presença do povoado de Nossa Senhora da Conceição do Campo Grande.(Atual Resende/RJ).
Por volta de 1800, o jovem Custodio Ferreira Leite, com seus 18 anos, ainda vivia em Minas Gerais, no outro lado da Mantiqueira. Ele era nascido próximo de São João Del Rey, filho do português Jose Leite Ribeiro e era um militar pertencente ao Corpo de Ordenanças, cuja missão principal era a de policiar e fiscalizar a picada do ayuruoca, caminho muito atraente para os contrabandistas de ouro e riquezas.

Seu pai, que também era, alem de militar, lavrador e mineiro, abriu uma fazenda com o nome de Palmital, trouxe com ele os filhos mais velhos e também Custodio Ferreira Leite que teve que se adaptar as condições do trabalho da fazenda, embora não gostasse muito de mineirar. Com o desenvolvimento do trabalho naquele local, outros mineradores foram incorporados e a fazenda se transformou em Sociedade do Palmital. A finalidade deste grupo de trabalhadores agrupados se devia ao fato de que trabalhando juntos eles se protegiam melhor dos silvícolas que não aceitavam os invasores de seus territórios.

O jovem Custodio com sua natural vitalidade, apesar de buscar fortuna com a mineração de ouro, não se achava satisfeito, seu espírito aventureiro ansiava por conhecer outros mundos. Sua assinatura foi encontrada como um dos sócios da Palmital, mas durou pouco sua presença por ali. Embora num ambiente não muito cultural, gostava de ler bons livros, lia tudo que lhe caia nas mãos em sua horas livres, principalmente quando o assunto era sobre lavoura e a indústria.

Próximo da Fazenda Palmital funcionava uma penitenciaria, para onde eram levados os criminosos e contrabandistas: por ali havia um registro ou uma guarda com o nome de Passa Vinte: este nome compreendia uma região que se separava da Capitania do Rio de Janeiro da região das minas do Rio Grande. Nesta área o policiamento era muito intenso e se sucediam os pontos de controle quase que de légua em légua: com o tempo, este caminho ficou conhecido com o nome de estrada do Passa Vinte.

Custodio Ferreira Leite conhecia toda essa região, andando a cavalo ou caminhando por todo lado a pé, se embrenhava pelos matos virgens e sempre era comum de se encontrar com os índios a quem procurava tratar bem e se tornar respeitado. Ajudava-os de todas as maneiras, ate nas colheitas do pinhão que era um dos alimentos básicos para eles.

Seu pensamento buscava sempre novas aventuras, não gostava de mineração e o mundo parecia atraí-lo para descer a serra, foi assim que atravessou o Rio Preto e foi parar na Vila de Resende onde se estabeleceu. Por sua grande capacidade criativa ai foi nomeado Capitão Mor. Depois de algum tempo, começou a se aventurar Paraíba abaixo, ganhou terras, abriu fazendas e abraçou a cultura do café apos estudos meticulosos sobre o assunto. Casou-se em 25 de Outubro na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, com Dona Thereza de Magalhães Velloso, era ela filha do Tte. Cel. Henrique Vicente Louzada de Magalhães, era ele oficial de cavalaria que controlava toda essa área de Resende ate o Rio Pirai.

Quando de seu casamento, seu sogro já era falecido e, com isto, Custodio Ferreira Leite foi obrigado a tomar conta de suas terras, entre as quais havia uma fazenda a margem do Rio Barra Mansa. Homem de grande influencia na região, o Col. Henrique tinha como vizinho e compadre o Sargento Mor Jose Pereira da Cruz, fazendeiro e dono de um Engenho de Cana nesta área que era conhecida como Sesmaria da Posse. Este cidadão, por volta de 1800, ergueu dentro de sua propriedade um singelo Oratório em louvor do seu padroeiro, São Sebastião. Esta pequena e singela capela era chamada de Capela de São Sebastião da Posse.

Neste pequeno Oratório se encontravam os fieis das redondezas quando havia ofícios religiosos. infelizmente, o local não se prestava para o crescimento de uma povoação, eram terras muito baixas e que, de certa maneira, por ser de propriedade privada, causava de certo modo inconveniências para alguns. Logo, apareceu um pensamento generalizado de transferência da capela para local mais adequado. Apesar disso, muitas pessoas foram batizadas e casadas na Capela da Posse: os filhos de Custodio Ferreira Leite foram ai batizados. Por esta ocasião, ele já morava na fazenda que era herança de sua mulher. Foi Custodio um dos lutadores para mudança da Capela deste local. Ai havia também, um cemitério que foi o primeiro de Barra Mansa e onde foi enterrado Jose Pereira da Cruz. 

Na margem esquerda do Rio Paraíba, Custodio havia aberto uma fazenda para seu sobrinho, o Capitão Jose Bento Ferreira da Silva. Ele era casado com sua sobrinha, dona Mariana. De comum acordo com os outros moradores, Custodio fez escolha de um bom local para construção da nova Capela de São Sebastião. Em 20 de Janeiro de 1814, ele oficiou ao Bispo do Rio de Janeiro, Dom Jose Caetano da Silva Coutinho, pedindo autorização para erigir a nova capela.

Dizia ele em seu oficio que o local escolhido era muito mais adequado do que a antiga capela e distava 7 léguas da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Resende. Em 1820, ficou pronta a nova Capela. Essa Capela teve o destino glorioso de se transformar apos 1839 na Igreja Matriz de Barra Mansa e foi o ponto central de crescimento da cidade. A fertilidade do solo e a chegada de novos colonos, o continuo transito de tropas e viajantes fizeram o crescimento do arraial. O local desta Capela era privilegiado: estava à margem da estrada Real que se dirigia para Serra do Mar e o litoral de Angra dos Reis, foi esta estrada atravessada, em 1822 pelo Príncipe Dom Pedro, Regente do Brasil quando ele se dirigiu a São Paulo, viagem esta que culminou com o Grito do Ipiranga e a nossa Independência de Portugal.

Em 3 de Outubro de 1825, o Bispo do Rio de Janeiro, em visita pastoral, expediu Provisão em que transformava a Capela em Curato de São Sebastião e nomeava nosso primeiro Capelão o Padre Manoel Jose de Castro, fixava o seu território separando da Freguesia de Nossa Senhora de Resende e sujeitando-a Freguesia de Sant'Anna do Pirai. Por coincidência, nesse dia de 3 de Outubro, pela primeira vez, separava-mos religiosamente do poder de Resende.

Com isto, Custodio Ferreira Leite, homem muito religioso, conseguiu seu intento de progresso e apos preparar o povoado que crescia rapidamente para ganhar sua autonomia política, saiu para novas empreitadas.

Foi construir novas capelas, abrir fazendas, novas estradas e construindo pontes ia levando a civilização por onde andava. Foi amigo dos nossos dois Imperadores, sempre freqüentou a Corte, recebeu por sua grande obra construtora e o seu espírito publico, em 14/03/1855 o titulo Barão de Ayuruoca. Era um homem que criou riquezas pelo seu trabalho individual e que, também, conquistou o direito de promover sua circulação abrindo estradas, construindo pontes, e sempre visando o bem publico.  

Dr. Jose Carlos Franco Faria

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  Ariane Porter